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23
Out
2026
Divisórias para escritório: vidro, painel ou acústica?

Divisórias para escritório: vidro, painel ou acústica?

Divisórias para escritório de vidro, de painel ou acústicas resolvem problemas diferentes: o vidro separa sem tirar a luz, o painel cego garante privacidade visual e a divisória acústica impede que a conversa passe para o ambiente ao lado. A escolha certa começa pelo uso de cada sala, e não pelo material. Este guia explica cada tipo, o que dizem as normas e como especificar sem errar no isolamento.

O que é uma divisória de escritório e para que serve?


Divisória é um sistema de fechamento leve, montado sem obra de alvenaria, que cria salas dentro de uma laje ou de um salão. Em geral, combina perfis de alumínio ou aço, painéis, vidros e portas.

Ela serve para três funções, que nem sempre andam juntas:

  • Separar espaços: criar sala de reunião, diretoria, sala de atendimento ou arquivo.
  • Dar privacidade visual: impedir que quem passa veja telas, documentos ou pessoas.
  • Isolar o som: impedir que a conversa de uma sala seja entendida na outra.

Por isso, a primeira pergunta do projeto é qual dessas funções cada ambiente precisa. Uma sala de reunião com clientes exige as três. Já um fechamento de copa pode precisar só da primeira.

Quais são os tipos de divisória e como cada um funciona?


Os tipos mais usados em escritórios são vidro temperado ou laminado, painel cego, painel com núcleo acústico e drywall. Cada um tem desempenho e aplicação próprios.

Divisória de vidro

O vidro é montado em perfis de alumínio ou fixado por ferragens. Ele mantém a entrada de luz natural e a sensação de amplitude. Para privacidade, recebe película ou vidro jateado.

Desde a emenda de junho de 2025, a ABNT NBR 7199 exige apenas vidro de segurança em divisórias e portas, ou seja, temperado ou laminado de segurança, segundo a Abravidro. Ao lado das portas, a faixa de até 60 cm em cada lado, em toda a altura, também precisa de vidro de segurança.

Divisória de painel cego

O painel cego usa chapas de madeira industrializada, como MDF ou MDP com revestimento melamínico, ou chapas metálicas. Ele bloqueia totalmente a visão e aceita acabamentos que combinam com o mobiliário.

Sem material isolante no interior, porém, o painel cego oferece pouca barreira ao som. Ele resolve privacidade visual, não necessariamente a acústica.

Divisória acústica

A divisória acústica é um painel duplo com núcleo de lã mineral (lã de rocha ou de vidro) e vedação em todo o perímetro. Também pode ser feita com vidro duplo, com câmara de ar entre as lâminas.

O desempenho é medido pelo Rw, o índice de redução sonora ponderado, obtido em ensaio de laboratório e expresso em decibéis. Quanto maior o Rw, menos som atravessa a parede.

Drywall

O drywall é uma parede de chapas de gesso sobre estrutura de aço. Não é uma divisória desmontável, mas costuma ser a referência de comparação acústica. O manual de desempenho acústico da Associação Drywall, com ensaios do IPT, mostra o efeito da lã mineral:

  • Parede de 73 mm, uma chapa por face, sem lã: Rw 36 dB.
  • A mesma parede com 50 mm de lã mineral: Rw 44 dB.
  • Parede de 98 mm, duas chapas por face e lã: Rw 50 dB.

Ou seja, só o núcleo isolante acrescentou 8 dB no ensaio. A mesma lógica vale para painéis de divisória: o recheio pesa mais que a aparência.

Qual divisória escolher para cada ambiente?


A escolha depende do nível de ruído que o ambiente pode ter e de quanto ele precisa ser visto ou escondido. A tabela compara as opções.

CaracterísticaVantagensDesvantagensMelhor aplicação
Vidro temperado ou laminado simplesMantém luz natural e integração visual; limpeza fácilIsolamento acústico limitado; exige película para privacidadeSalas de apoio, aquários de equipe, fechamento de copas
Vidro duplo (câmara de ar)Une transparência e melhor isolamento que o vidro simplesInvestimento maior; perfis mais robustosSalas de reunião e diretoria em que a luz é prioridade
Painel cego sem núcleoPrivacidade visual total; acabamento igual ao mobiliárioPouca barreira ao somArquivo, almoxarifado, depósito
Painel com núcleo acústicoBom isolamento com montagem a seco e desmontávelBloqueia a luz; desempenho depende de vedação e laudoSalas de atendimento, RH, reuniões confidenciais
Drywall com lã mineralAlto isolamento comprovado em ensaios publicadosObra com pó e acabamento; não é reaproveitadoSalas permanentes que não vão mudar de lugar

Na prática, muitos projetos misturam tipos. Por exemplo, painel acústico até 1,10 m e vidro duplo acima, o que preserva luz e reduz a passagem de som.

Quanto isolamento acústico cada sala precisa?


A referência brasileira para ruído interno é a ABNT NBR 10152:2017, que define níveis de ruído aceitáveis por tipo de ambiente. Segundo a tabela reproduzida pela Volk do Brasil, os valores de referência (RLAeq) são:

  • Salas de reunião: 35 dB.
  • Escritórios privativos: 40 dB.
  • Escritórios coletivos (open plan): 45 dB.

Portanto, uma sala de reunião ao lado de um salão aberto precisa de uma barreira que mantenha o interior bem abaixo do ruído externo. O Rw necessário deve ser calculado pelo projetista ou consultor de acústica, considerando o ruído de cada lado.

Quais erros comprometem o isolamento da divisória?


O erro mais comum é comprar um painel com bom Rw e instalá-lo com frestas, até o forro ou com porta comum. O som passa pelo ponto mais fraco.

  1. Parar no forro: se a divisória termina no forro modular, o som passa por cima. Para isolamento, ela deve ir até a laje ou o forro precisa de barreira acústica no mesmo alinhamento.
  2. Porta sem vedação: porta oca e sem borracha no batente anula boa parte do painel. Prefira porta com núcleo maciço e veda-porta na base.
  3. Frestas no perímetro: encontros com piso, parede e pilares precisam de vedação contínua.
  4. Caixas elétricas alinhadas: tomadas na mesma posição nos dois lados criam um caminho direto para o som.
  5. Dutos de ar-condicionado compartilhados: o retorno de ar entre salas transmite conversas.
  6. Laudo ausente: peça ao fornecedor o Rw do sistema em relatório de ensaio, com laboratório e data.

Como planejar divisórias nos escritórios da Grande São Paulo?


Na Grande São Paulo, o que mais muda a especificação é o tipo de forro, o pé-direito e as instalações de incêndio do prédio.

Em lajes corporativas recentes, como as de Santo Amaro e da Granja Julieta, é comum o forro modular com ar-condicionado central e sprinklers. Fechar uma sala pode exigir adequar sprinklers, detectores e retorno de ar, itens ligados ao projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Por isso, a administração do prédio deve validar o layout antes da compra.

Por outro lado, edifícios mais antigos da Bela Vista e dos Jardins costumam ter forro de gesso e pé-direito menor. Divisórias piso-teto são mais simples de vedar, mas exigem medição precisa da altura em cada ponto.

Já casas adaptadas para escritório, comuns em bairros como a Vila Madalena e em Cotia, na região da Granja Viana, têm paredes de alvenaria. Nesse tipo de imóvel, a divisória entra mais para subdividir salas grandes do que para criar salas novas.

Como a Projeto Promov trabalha com divisórias no projeto?


A Projeto Promov desenha as divisórias junto com o mobiliário, para que a modulação dos painéis acompanhe as estações, as portas e os armários de cada sala.

Dentro do projeto completo, o layout define primeiro o uso de cada ambiente e depois o tipo de fechamento. Assim, a sala de reunião recebe a solução acústica, o arquivo recebe painel cego e a área de equipe mantém o vidro. Armários e credenzas podem ser posicionados contra a divisória sem conflito com tomadas e portas.

Perguntas frequentes sobre divisórias para escritório


Divisória de vidro tem isolamento acústico?

Tem pouco quando é vidro simples. O desempenho melhora com vidro laminado acústico ou vidro duplo com câmara de ar, além de vedação em todo o perímetro. Peça o Rw do sistema completo em laudo de ensaio, não só o do vidro.

A divisória precisa ir até a laje?

Para isolar som, sim, ou o forro precisa de barreira acústica no mesmo alinhamento. Divisória que termina no forro modular deixa o som passar por cima. Para separar apenas visualmente, ir até o forro costuma ser suficiente.

Dá para reaproveitar divisórias numa mudança de layout?

Divisórias de painel e vidro em perfis de alumínio são desmontáveis e podem ser reaproveitadas, desde que a nova altura e a modulação sejam compatíveis. Drywall, ao contrário, é demolido e não volta a ser usado.

Película ou vidro jateado: qual a diferença?

O vidro jateado recebe o tratamento na fábrica e é permanente. A película é aplicada depois, pode ter desenhos ou faixas e pode ser trocada. Ambos oferecem privacidade visual, mas nenhum melhora o isolamento acústico.

Instalar divisória exige autorização do prédio?

Na maioria dos edifícios comerciais, sim. A administração costuma pedir o layout para verificar sprinklers, detectores, ar-condicionado e rotas de saída. Consulte o regulamento interno antes de aprovar o projeto.

Qual é o próximo passo para escolher as divisórias do escritório?


Defina o uso de cada sala antes do material: quem precisa de luz recebe vidro, quem precisa de sigilo recebe solução acústica com laudo, e quem só precisa de separação visual recebe painel cego. Em seguida, verifique forro, porta e vedação, porque é ali que o isolamento costuma falhar.

Para avançar, envie à Projeto Promov a lista de salas fechadas que a empresa precisa e o uso de cada uma. Com isso, a equipe indica o tipo de divisória por ambiente e o encaixa no layout do mobiliário.

André Mena

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